sexta-feira, 14 de maio de 2010

Asfalto quente

Aí, eu peguei o gado pelo chifre e quando todo mund....poft!



Eu desde sempre quis ser ator.
Aos 5 anos eu ia no fuuundo da minha casa pegar uma ramagem/penugem que floria do capim. Amarrava na cabeça, forrava um tapete na calçada e sentado voava igual o Alladim que eu assistia no Sítio do pica-pau Amarelo.
Subia nos telhado feito Homem-Aranha, olhava a cidade lá de cima como o Super-Homem e lógico, caia feito uma goiaba madura e me estatelava no chão. Um anjinho!
Desde muito pequeno eu sempre fui outra pessoa ou outra coisa.
Teve uma época que eu achava bacana desfalecer do nada. Repetinamente. De repente no meio de uma corrida, pluft!!
Eu fingia que perdia os sentidos e caía.
No meio de uma conversa com minha mãe, ploft!!!
- No dia que você desmaiar de verdade, ninguém vai acreditar!!! Dizia balançando a colher de pau em riste e a mão na cintura.
Mas isso aumentava o desafio. Será que mesmo sabendo disso tudo em ainda conseguiria enganar alguém?
Conseguia.
Lógico que sempre tinha alguém do lado para acudir.
Um belo dia, lá fui eu pagar uma conta de água ou luz, nem sei! Aquela fila enorme, aquele calor do cão. O ar condicionado ainda não tinha chegado por aquelas bandas. Ventilador era o que se tinha de máximo!!
Finalmente cheguei no caixa. Paguei a conta e saí do banco rumo a minha casa.
Devia ser uma 13 ou 14 horas, um sol de fritar ovos no asfalto.
Aquele banco continuava lotado, ao abrir a porta pra rua, tudo escureceu... ouvi bem ao longe um barulho seco de um corpo se chocando violentamente contra o chão!
Silêncio.
Voltei a mim.
Ouvia várias vozes e percebi que me levavam para algum lugar.
"Eu" tinha desfalecido e me estatelado no chão!!!!
Fui invadido por uma vergonha terrível.
- Tô bem, bem!
- On´e cê mora minino?
- Barro novo.
- Loongi!
- ...
- Teu pai?
- trabalando.
- E tua mãe?
- Tamem!
- Danadu. Tenh algum cunhecid teu aqui nu banco? Se tu num melorá minino, vamu ter que esperá alguem vim te buscá!
Mal tinha coragem de levantar a cabeça.
Quando deixaram, me levantei e fui embora rapidamente.
Nunca mais quis brincar de ser o senhor dos desfalecimentos.

É.

A VIDA ENSINA APRENDE QUEM QUER!

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